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Os bebés de Auschwitz, e Wendy Holden #marçofeminino

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Mesmo a terminar março, findei a minha segunda leitura de uma escritora.
Este livro é intenso, muito forte... capaz de levar-nos às lágrimas. Tive de parar inúmeras vezes e esperar, por vezes, alguns dias, até retomar a leitura. Já li muito sobre o Holocausto, mas continuo a não conseguir ficar indiferente e ainda bem. Este livro retrata a vida de famílias dizimadas pelo regime hitleriano e a certeza de mulheres mães, mulheres heroínas, sobreviventes e dos seus filhos cheios de vontade de viver. É tocante, escandaloso e dorido o que lemos nestes testemunhos. Um excelente trabalho desta escritora, que apenas se pode tornar aborrecido, para os menos interessados no tema, devido a algumas partes descritivas históricas.
"Mandaram-nos para a floresta e depois mataram-nos todos a tiro." disse Sala. "O meu irmão foi um dos que tiveram de limpar a sujidade da matança e, acabada a limpeza, também mataram os que limparam. Mandaram-no tirar a roupa, que mais tarde foi encontrada p…

Esteja eu onde estiver, Romana Petri #marçofeminino

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Romana Petri é italiana, desconfiei. Como é que uma italiana vai escrever um livro de Portugal, ainda por cima com 567 páginas?! e desenrolado ao longo do século XX?!
Margarida, mulher sofrida, sem casa, apaixona-se por Carlos Freitas, que lhe deixa uma casa arrendada, uma filha e mágoa de um grande amor casado e com aspirações financeiras maiores.
Custódia, solteirona, casa com galã machista, Belmiro, que gosta de dinheiro e muitas mulheres. Vive amargurada, mitigando a sua dor de forma egoísta e singular. É patroa de Margarida, a quem deverá os poucos momentos de felicidade da sua vida.
Maria do Céu, filha de Margarida, afilhada de Custódia. Mulher forte e lutadora, como a sua mãe, cria 3 filhos de um marido ausente, Tiago, traidor e fraco. 
Rita, Vasco e Joana, filhos de Maria do Céu e Tiago ficamos a conhecê-los e com vontade de saber o resto das suas vidas.
Ainda conhecemos Violeta, uma deficiente física, irmã de Belmiro, que cuida de Maria do Céu, mas nunca é aceite pelo irmão.

O brilho azul das estrelas, de Laura Pritchet

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Olá,
acabei há dois dias este livro que se lê facilmente. É uma narrativa que decorre a várias vozes, sendo que as principais são de Ben, protagonista da história, doente de Alzeimer; Renny, a esposa de Ben, mulher muito prática e Jess, uma das netas de ambos, que é considerada "esquisita".
Ben tem consciências que sofre de Alzeimer e tudo o que isso implica, então vai escrevendo recados a si próprio, para que possa recordar-se de quem é e que é a sua família. Não esqueceu a sua filha Rachel, assassinada pelo seu próprio marido, Ray. No meio da confusão do seu próprio cérebro, Ben sabe que Ray já cumpriu a sua pena e saiu da prisão. Precisa de não se esquecer que o quer matar... Toda a história gira em torno do seu objetivo e em como os que o rodeiam não o acham capazes de tal, mas todos desconfiam que o fará. No meio de toda esta turbulência, Renny descobre também, porque a morte da sua filha a afastou do marido, que já não se lembrava de como amar.  As palavras póstumas s…

As raparigas

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Olá, terminei, ontem, o livro As raparigas, de Emma Cline. Foi-me oferecido no Natal. Foi editado em novembro do ano passado, pela Porto Editora.     Foi com algum receio que vi que a escritora era bastante nova, pois costumo gostar muito dos clássicos e os autores muito recentes, a maior parte das vezes parecem-me "verdinhos". Pois então, Emma Cline, nascida em 1989, propôs-se a escrever um livro sobre adolescentes nos loucos anos 60... e consegue. Ainda que não seja um livro arrebatador e, por vezes, se torne ambíguo, transmite-nos toda a estranha confusão que é a adolescência, a necessidade de aceitação, de amor, de pertença a uma sociedade (seja ela qual for), de existir, ainda que a cara não seja a nossa, o corpo emprestado...     Evie, uma menina de boas famílias, talvez devido à vida familiar vazia e posterior separação dos pais, evidencia a necessidade de se revoltar ao mundo que não a vê. O divórcio dos pais permite-lhe ter uma grande liberdade, que a leva a querer…

A herdeira, de Marion Zimmer Bradley

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Fiz mais uma leitura desta autora, que me é muito querida. Ouvi dizer que foi acusada de pedofilia pela própria filha após a sua morte, será verdade?
Bem, este livro, apesar de intrigante em nada se iguala a outros que já li dela. Fala-nos da história de uma psicóloga, Leslie e da sua irmã, Emily. Mudam de casa e enredam-se numa história musical e assombrada. A antiga moradora da casa resolve escolher a sua sucessora em parapsicologia, mas tem um afilhado envolvido em magia negra. A personagem principal é a casa e tudo gira em torno dos fenómenos estranhos que lá acontecem. Interessante sem ser espetacular. A editora é a Difel e tem 386 páginas. Tradução de Rute Rosa da Silva. Sem defeitos a apontar.


Inocência Perdida

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Olá,
Inocência Perdida é chocante e sofrido. É um livro biográfico de Somaly Mam. Abandonada, vendida, casada à força, violada fisicamente e psicologicamente, foi escrava sexual num bordel. Esta mulher enfrentou o seu destino e escolheu revivê-lo todos os dias ao salvar outras mulheres do tráfico humano, da escravidão social e da morte. Ela conseguiu regatear a sua sorte e funda uma ONG que ajuda as mulheres escravizadas no Camboja. Também tem um site no facebook https://www.facebook.com/afesip/ Durante a leitura do livro não queria a acreditar que esta história era tão recente, tão atual... senti repugnância por este mundo. Assusta-me o que vou deixar às outras gerações. É atroz o que as mulheres ainda vivem em algumas partes do mundo, é inacreditável que as culturas não se modifiquem com o tempo.  Leiam, por favor. É um livro violento, que nos dá um murro no estômago, mas nos alerta para a triste realidade da escravidão sexual. A minha edição é da ASA, de 2008 e tem 173 páginas. Cus…

Abril despedaçado

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Olá,

a minha última leitura foi Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré. É um livro publicado pela editora Publicações Dom Quixote, com tradução de Magda Bigotte de Figueiredo, com a 1.ª edição de maio de 2002. Este livro trata-se de uma obra inspirada nas antigas tragédias. Relata a saga de vingança enraizada numa zona montanhosa da Albânia, que ceifa vidas, ou seja, a vingança é o motor económico da região, além de assente em variadíssimas tradições seculares que apelam à constante renovação de derramamento de sangue ou de exílio voluntário. Confesso que não gostei do livro e que me desiludiu. Talvez ainda não tenha a maturidade necessária para apelar aos constantes monólogos interiores das personagens. Não recomendo e não voltaria a ler. A fotografia da capa não corresponde à edição que eu li, mas foi a que encontrei. Sei também que existe um filme brasileiro baseado neste livro e que tem o mesmo nome.